Quando escolhemos uma maquiagem, é natural observar primeiro aquilo que conseguimos ver: a cor, a textura, o acabamento e a performance na pele. Mas existe outra pergunta que vem ganhando espaço nas discussões sobre beleza e saúde: o que existe dentro das fórmulas que colocamos na pele todos os dias?
É nesse contexto que aparecem os disruptores endócrinos, substâncias capazes de interferir no funcionamento do sistema endócrino, responsável pela produção e regulação dos nossos hormônios.
Eles não estão restritos à maquiagem ou ao skin care. Podem ser encontrados em plásticos, pesticidas, embalagens e produtos de higiene e cuidado pessoal em geral. Por isso, conhecer essas substâncias e aprender a identificá-las é mais uma forma de fazer escolhas conscientes sobre aquilo que entra em contato com a pele.
O que são os disruptores endócrinos e como agem?
Os hormônios funcionam como mensageiros químicos e participam da regulação de inúmeros processos do organismo. Os disruptores endócrinos podem interferir nessa comunicação de diferentes maneiras, como imitando a ação de determinados hormônios, bloqueando seus receptores ou alterando sua produção e funcionamento.
Entre as substâncias estudadas por sua possível atividade endócrina estão alguns ftalatos, parabenos, bisfenóis, BHA e BHT, triclosan e determinados filtros UV, como a oxybenzone (benzofenona-3). A Comissão Europeia, por exemplo, já incluiu algumas dessas substâncias entre aquelas priorizadas para avaliação de suas propriedades de desregulação endócrina.
O interesse científico pelo tema está relacionado à importância que o equilíbrio hormonal exerce ao longo de toda a vida. Por isso, os possíveis impactos dos disruptores endócrinos sobre os sistemas reprodutivo, metabólico e hormonal vêm sendo investigados por diferentes áreas da ciência.
É importante, porém, distinguir presença de risco. Os efeitos dependem da substância, da concentração, da frequência e da forma de exposição, e vários desses ingredientes têm limites de uso definidos por órgãos reguladores. O debate científico segue em andamento, e é justamente nesse cenário que muitas marcas e consumidoras optam pela precaução.
Onde essas substâncias podem aparecer nos cosméticos?
Os disruptores endócrinos não correspondem a um único ingrediente. São diferentes substâncias, utilizadas ou presentes em produtos por motivos distintos.
Os ftalatos, por exemplo, podem estar associados a perfumes, esmaltes, sprays para cabelo e outros produtos. Já os parabenos são utilizados como conservantes para impedir a proliferação de bactérias e fungos nas fórmulas. BHA e BHT podem exercer função antioxidante, enquanto a oxybenzone é utilizada como filtro UV em determinados cosméticos.
Conservar uma fórmula é necessário, e a proteção solar também continua sendo importante. A pergunta, portanto, não é se um produto precisa de conservação ou de filtro, mas com quais ingredientes isso é feito.
Há ainda substâncias que podem estar relacionadas à própria embalagem. O bisfenol A (BPA), por exemplo, é associado a determinados materiais plásticos e pode se tornar uma fonte adicional de exposição.
Conhecer essas diferentes origens ajuda a entender por que olhar para um cosmético de maneira mais ampla envolve tanto sua fórmula quanto a forma como ele é produzido e acondicionado.
Fragrâncias também merecem atenção
As fragrâncias sintéticas são um ponto particularmente importante dessa conversa.
Em determinadas formulações, ftalatos podem ser utilizados para funções relacionadas à fixação e estabilidade das fragrâncias. Ao mesmo tempo, a composição completa de uma fragrância nem sempre aparece individualmente na lista de ingredientes, podendo estar agrupada sob termos como "fragrance" ou "parfum". Isso dificulta para o consumidor saber exatamente quais substâncias estão presentes naquele composto aromático.
Por esse motivo, a BAIMS opta por não utilizar fragrâncias sintéticas em suas fórmulas. No artigo sobre fragrâncias sintéticas e os ftalatos que podem estar escondidos no termo fragrance/parfum, aprofundamos essa relação e explicamos como observar esse tipo de informação no rótulo.
Por que prestar atenção à exposição cotidiana?
Uma das particularidades dos cosméticos está na frequência de uso. Base, corretivo, batom e outros produtos podem permanecer durante horas sobre a pele e fazer parte da rotina durante muitos anos.
Os cosméticos são apenas uma das possíveis fontes de contato com substâncias estudadas como disruptores endócrinos. Alimentação, ambiente, embalagens e diferentes produtos de uso diário também entram nessa equação. Por isso, reduzir fontes evitáveis de exposição pode ser uma escolha consciente. No universo da beleza, isso começa por observar os ingredientes, conhecer as escolhas de formulação das marcas e dar preferência a produtos que adotem critérios claros e verificáveis.
Durante a gravidez e a amamentação, as escolhas de produtos costumam ser ainda mais criteriosas, e conversar com o médico é sempre um bom caminho. A BAIMS já aprofundou essa discussão no conteúdo sobre maquiagem durante a gravidez e amamentação.
Como fazer escolhas mais conscientes?
Ler os rótulos é um bom começo. Estes são alguns termos que podem ser observados por quem deseja reduzir o contato com as substâncias discutidas neste artigo:
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parfum / fragrance
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dibutyl phthalate (DBP)
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bisphenol A (BPA)
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oxybenzone
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triclosan
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BHA / BHT
Optar por embalagens que reduzam o uso de plástico e buscar certificações independentes também ajuda a estabelecer critérios mais objetivos de escolha.
Há uma diferença importante entre um produto simplesmente se apresentar como "natural" e seguir um padrão independente de certificação. Certificações como a COSMOS Organic, realizada pela Ecocert, estabelecem critérios específicos para ingredientes, matérias-primas, processos produtivos e embalagens. Isso oferece à consumidora uma referência verificável, para além das promessas feitas pela própria marca.
A escolha da BAIMS

Na BAIMS, a escolha por maquiagem natural e orgânica certificada parte da ideia de que alta performance pode caminhar junto a critérios rigorosos de formulação.
É também nesse ponto que entra o Princípio da Precaução adotado pela marca. Quando existem questionamentos relevantes sobre determinadas substâncias e seus possíveis efeitos a longo prazo, a BAIMS prefere evitá-las quando há alternativas disponíveis para formular produtos com qualidade e performance. Parabenos, triclosan e fragrâncias sintéticas estão entre os ingredientes que a marca escolhe não utilizar.
As fórmulas seguem os critérios da certificação COSMOS e são desenvolvidas a partir de ingredientes naturais cuidadosamente selecionados. A marca também prioriza embalagens de bambu, vidro e alumínio e sistemas de refil, ampliando esse cuidado para além da fórmula.
A escolha pela maquiagem natural, portanto, não precisa nascer do medo. Ela pode partir de algo muito mais simples: informação. Quanto mais entendemos sobre os ingredientes que fazem parte da nossa rotina, mais autonomia temos para decidir quais deles queremos manter em contato com a nossa pele todos os dias. E, para a BAIMS, oferecer alternativas naturais, certificadas e transparentes faz parte justamente dessa possibilidade de escolha.